Avançar para o conteúdo principal

Nós e a Europa ou as Duas Razões

“A Europa foi durante séculos, através das suas especificidades, das suas religiões (…) da diversidade das suas opções filosóficas e ideológicas uma «arena» histórica e espiritual onde a questão vital do «sentido» da nossa existência se dirimiu, deixando como rasto grandioso a «Odisseia», o «De Rerum Natura», a «Cidade de Deus», a «Divina Comédia», «Hamlet», a «Ética», o «Fausto» ou a «Recherche», monumento incomparável da nossa, na aparência definitiva, perdição ou consubstanciação com o tempo. É mais do que suficiente para conferir uma «identidade» ao sonho de uma Europa política e economicamente unificável mas, mesmo desse passado incomparável, a actual pulsão cultural europeia, nas suas expressões mais significativas, não sabe o que fazer. Já não queima, como há vinte anos os seus anais sagrados no pátio da sua Universidade Mater. Cheia de ciência, em plena revisão da sua mitologia cultural iluminista, consciente da sua riqueza (ou da riqueza dos ricos nela que não são forçosamente europeus), mas não menos consciente de já não ser politicamente o centro do universo, esta Europa tem tudo, salvo uma ideia condutora digna da sua vocação milenária que a centre em si e lhe dê uma alma.”

Eduardo Lourenço, Nós e a Europa ou as Duas Razões


Mensagens populares deste blogue

Visiokids: divulgar a ciência de modo informal e divertido

O programa infantil  Zig Zag , da RTP2, integra desde 23 de Setembro os episódios da série  Visiokids , que visa “divulgar a ciência de modo informal e divertido”.  ( Pode ler + )

The concept of universities

I have always liked the concept of universities as they were in Ancient Greece, where folks who had something cool to say would just come and say it. It wasn't about recognition; the impetus was the thought that you were resonating with ideas. Donald E. Knuth

Charting culture

Note:  This animation distils hundreds of years of culture into just five minutes. A team of historians and scientists wanted to map cultural mobility, so they tracked the births and deaths of notable individuals like David, King of Israel, and Leonardo da Vinci, from 600 BC to the present day. Using them as a proxy for skills and ideas, their map reveals intellectual hotspots and tracks how empires rise and crumble. The information comes from Freebase, a Google-owned database of well-known people and places, and other catalogues of notable individuals. The visualization was created by Maximilian Schich (University of Texas at Dallas) and Mauro Martino (IBM).