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A mostrar mensagens com a etiqueta Poesia

Compor [os] meus silêncios

Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar Dou mais respeito às que vivem da barriga no chão tipo água pedra sapo. Manoel de Barros

Sonhar atrás da vidraça

O poeta, como tantos outros, sonha atrás da vidraça. Mas no próprio vidro descobre uma pequena irregularidade que vai propagar a irregularidade do Universo. Gaston Bachelard

Poema - Vida

Vida O mundo com todas as suas fragrâncias é feito de elementos, misturas, substâncias. Elementos mais ou menos cem. Como pode acreditar alguém, com senso, que a diversidade de um universo tão imenso a partir de tão pouco seja conseguida? Mas o mais estranho é o que agora vem. Muito menos elementos tem aquilo a que resolvemos chamar vida. Gouveia R. in Reflexões e Interferências (Ler mais: http://cienciapatodos.webnode.pt/news/vida)

O Rei de Ítaca

A civilização em que estamos é tão errada que  nela o pensamento se desligou da mão  Ulisses rei de Ítaca carpinteirou seu barco  E gabava-se também de saber conduzir  Num campo a direito o sulco do arado. Sophia de Mello Breyner

A Terceira Margem

“Amo os grandes rios, pois são profundos como a alma do homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como os sofrimentos dos homens. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: a eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar a eternidade.” João Guimarães Rosa

Único lucro

"O único lucro na poesia é o lucro semântico." Gonçalo M. Tavares,  A perna esquerda de Paris , 2004

No man is an island

“No man is an island, entire of it self; every man is a piece of the Continent, a part of the main; (…) any man’s death diminishes me, because I am involved in Mankind; and therefore never send to know whom the bell tolls; it tolls for thee.” John Donne

Desejo criativo

"Tanto a prosa como o verso para crianças têm de ter ritmo, têm de ter sentido de humor, têm de saber brincar, encaixar as frases umas nas outras, têm de despertar na criança o desejo criativo." Sidónio Muralha

Tentação de levantar andaimes

Dúvidas, erros, E a tentação de levantar andaimes, De entrar «em obras», de instalar Em cada dia um «problema» E de dourar O problema de cada dia... Mas não só a dúvida e o erro, O coração entornado, a cabeça perdida Entravam nos nossos dias. Porém tratava-se de realizar Alexandre O'Neill (1958), [ Extracto de um poema de], « Agora Escrevo ». in No Reino da Dinamarca

Consciência

Leva, doirado, O Sol da consciência Às íntimas funduras do teu ser Miguel Torga, Diário, IX

Power of words

O wondrous power of words, by simple faith Licensed to take the meaning that we love William Shakespeare, (1564-1616)

As minhas esperanças

Não deram resultado todas as esperanças que eu tinha posto no dia de hoje. Mas amanhã se Deus quiser logo de manhã muito cedinho todas as minhas esperanças começam outra vez à procura da minha vez. Almada Negreiros, “ As quatro manhãs ”

Todos os sonhos do mundo

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Álvaro de Campos, Tabacaria

Cérebro de escritor

“Para um escritor vale mais o cérebro do que um computador.” Norbert Wiener, criador da Cibernética, 1894-1964

Delphica

Desde a orla do mar Onde tudo começou intacto no primeiro dia de mim Desde a orla do mar Onde vi na areia as pegadas triangulares das gaivotas Enquanto o céu cego de luz bebia o ângulo do seu voo Onde amei com êxtase a cor o peso e a forma necessária das conchas (...) Sophia de Mello Breyner Andresen Delphica IV , Maio de 1970

As Palavras

Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma Tem mil faces secretas sob a face neutra E te pergunta, sem interesse pela resposta, Pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? Carlos Drummond de Andrade

Primeira noite de Verão

«Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter – nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite. No gume da perfeição, no imenso halo de luz azul e transparente, no rouco da treva, na quasi palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas, havia algo de pungente, algo de alarme. Como sempre a noite de vento leste misturava extasi e pânico.» Sophia de Mello Breyner Andresen Nota: O poema referido está intitulado «Primeira noite de Verão». No fim da folha, à direita, está a indicação: «Porto, 9-V-1934».