Flauta de bambu

“Um indígena africano toca uma melodia em sua flauta de bambu. O músico europeu terá muito trabalho para imitar fielmente a melodia exótica, mas quando ele consegue enfim determinar as alturas dos sons, ele está certo de ter reproduzido fielmente a peça de música africana. Mas o indígena não está de acordo pois o europeu não prestou atenção suficiente ao timbre dos sons. Então o indígena toca a mesma ária em outra flauta. O europeu pensa que se trata de uma outra melodia, porque as alturas dos sons mudaram completamente em razão da construção do outro instrumento, mas o indígena jura que é a mesma ária. A diferença provém de que o mais importante para o indígena é o timbre, enquanto que para o europeu é a altura do som. O importante em música não é o dado natural, não são os sons tais como são realizados, mas como são intencionados. O indígena e o europeu ouvem o mesmo som, mas ele tem um valor totalmente diferente para cada um, porque as concepções derivam de dois sistemas musicais inteiramente diferentes; o som em música funciona como elemento de um sistema. As realizações podem ser múltiplas, o acústico pode determiná-las exactamente, mas o essencial em música é que a peça possa ser reconhecida como idêntica.

Jean-Jacques Nattiez,

Fondements d’une sémiologie de la musique, 1976

[cita uma história relatada por Roman Jakobson numa conferência de G. Becking pronunciada em 1932 no Círculo Linguístico de Praga]


Tentação de levantar andaimes

Dúvidas, erros,

E a tentação de levantar andaimes,

De entrar «em obras», de instalar

Em cada dia um «problema»

E de dourar

O problema de cada dia...

Mas não só a dúvida e o erro,

O coração entornado, a cabeça perdida

Entravam nos nossos dias.

Porém

tratava-se de realizar

Alexandre O'Neill (1958), [Extracto de um poema de],

«Agora Escrevo». in No Reino da Dinamarca


Fio do prumo

“Tomarei por direito o fio do prumo e por justiça o nível de igualdade.”

Isaías, séc. VIII AEC


Consciência

Leva, doirado,

O Sol da consciência

Às íntimas funduras do teu ser

Miguel Torga, Diário, IX


Educar é governar

“Nem sempre foi assim, mas educar é governar. Assim era já no século XIX. Assim foi durante o século XX e assim será sobretudo, à medida que avança o novo século. Este vai ser o século do saber. Mais precisamente o século da racionalidade científica e tecnológica.”

Domingos Caeiro


Power of words

O wondrous power of words, by simple faith

Licensed to take the meaning that we love

William Shakespeare, (1564-1616)


À medida que se progride

“Toda a disciplina, à medida que progride, tende a modificar mais ou menos profundamente as ideias que forma sobre as realidades fundamentais, objecto do seu estudo; assim acontece, na física, com as noções de matéria e energia; na biologia, com as noções de pessoa, de sexo, de vida e de morte.”


Jean Rostand, Biologie et humanisme, Gallimard, Paris, p.9(1).


Apenas o lugar

“Nós somos apenas o lugar onde duas hereditariedades se reúnem.”


Jean Rostand, Apud Os filhos da ciência,

Robert Clarke, Verbo, Fev. 89, p. 1.


Pesar o nosso vizinho

“Raramente pesamos o nosso vizinho na mesma balança em que nos pesamos.”

Thomas von Kempen, [1380?-1471]


Pelos seus frutos

“Julga uma árvore pelos seus frutos, não pelas suas folhas.”

Eurípedes, [485?-406 AEC]


A capa de um livro

“Não julgues um livro pela capa.”
Provérbio Chinês

A casa de uma pessoa

“Antes de julgar uma pessoa, conhece a sua casa.”

Provérbio Africano


Mocassins

“Antes de julgares uma pessoa, caminha durante três luas com os seus mocassins.”

Provérbio Índio Norte-Americano


Pelas suas perguntas

“Ajuíza as pessoas pelas suas perguntas, não pelas suas respostas.”

Voltaire [1694-1778]


Palavra profunda

“De qualquer palavra profunda, todos os homens são discípulos.”

Victor Hugo (1802-1885)


Aquilo de que não andamos à procura

Às vezes encontramos aquilo de que não andamos à procura... a natureza faz a penicilina, eu só a descobri (...) nunca negligenciem um acontecimento ou aspecto só porque é extraordinário e inesperado.

Alexander Fleming (1881-1955)


Conclusões suficientes

“A vida é a arte de tirar conclusões suficientes a partir de dados insuficientes.”

Samuel Butler [1835-1902]


Inferioridade moral

“O facto de o homem distinguir o certo do errado prova a sua superioridade intelectual relativamente às outras criaturas; mas o facto de ele poder agir erradamente prova a sua inferioridade moral em relação a toda a criatura que não o consiga fazer.”

Mark Twain [1835-1910]


Deficiências morais & falta de inteligência

“Os males do mundo devem-se tanto a deficiências morais quanto à falta de inteligência. Mas a humanidade não descobriu até agora qualquer método para erradicar as deficiências morais (…) A inteligência, pelo contrário, é facilmente aperfeiçoada através de métodos que todos os educadores competentes conhecem. Logo, até que se descubra um método para ensinar a virtude, o progresso terá de ser alcançado através do aperfeiçoamento da inteligência, e não da moral.”
Bertrand Russel, Skeptical Essays, Londres, Allen and Unwin, 1977, p. 127

Força motivadora primária

“O empenho de achar sentido na vida é a força motivadora primária no homem. . . . Não há nada no mundo, arrisco-me a dizer, que ajudaria a pessoa a sobreviver tão eficazmente até mesmo às piores condições, do que o conhecimento de que há sentido na vida.”

Viktor Frankl

A Persistência da Memória

"O conteúdo de informação do cérebro humano referido em bits é possivelmente comparável ao número total de conexões entre neurónios -- ou seja, cerca de de 1014 bits. Se expressos em escrita, digamos, aquela informação encheria alguns 20 milhões de volumes, tantos quantos existem nas maiores bibliotecas do mundo. O equivalente a 20 milhões de livros está dentro das cabeças de cada um de nós. O cérebro é um lugar enorme num espaço mínimo. A maior parte dos «livros» está no córtice cerebral. Na cave encontram-se as funções de que os nossos antecessores fundamentalmente dependiam -- agressividade, cuidados com as crianças, medo, sexo, prontidão para seguir cegamente o chefe. Algumas das funções superiores do cérebro -- ler, escrever, falar -- parecem localizar-se em locais específicos do córtice cerebral. As recordações, por outro lado, encontram-se alojadas redundantemente em muitos locais. Se existisse o que se diz ser a telepatia, uma das suas glórias seria a oportunidade de virmos a ler os livros nos córtices cerebrais dos nossos bem-amados. No entanto, não há prova cabal da existência da telepatia e a comunicação dessa informação fica a cargo de artistas e escritores. O cérebro faz mais do que lembrar. Compara, sintetiza, analisa, abstrai. Somos capazes de imaginar muito mais do que o que conseguem os nossos genes. É por isso que a biblioteca do cérebro é 10 mil vezes maior do que a biblioteca genética. A nossa paixão pelo saber, evidente no comportamento de qualquer criança que aprende a caminhar, é o instrumento da nossa sobrevivência."

Carl Sagan, Cosmos, 1980

De rerum natura

"Lucrécio, poeta romano que nasceu há mais de 2.000 anos, escreveu um longo poema, cujo o título, em português, poderia ser Sobre a Natureza das Coisas. Lucrécio acreditava que a matéria fosse constituída por pequeníssimos corpúsculos, mas compreendia que as outras pessoas não acreditassem em virtude de esses corpúsculos serem invisíveis. Então, para convencer os seus leitores de que isso não era razão bastante para acreditarem, mostrou-lhes, do modo que se segue, como decorrem certos processos naturais: «Se pendurares as tuas roupas na margem onde as ondas vêm bater, verás como ficam húmidas; se as estenderes ao sol ficarão secas. Entretanto, ninguém vê como é que a água entrou nelas nem como saiu delas, e isso só foi possível desde que a água se tivesse dividido em partículas que os nossos olhos não distinguem de maneira nenhuma. O anel que trazemos nos dedos vai-se, com o tempo, adelgaçando pelo lado de dentro; as gotas de água que caem repetidas vezes fazem covas nas pedras; o ferro curvo da charrua embota-se insensivelmente ao cavar o sulco na terra; as pedras que calçam as ruas gastam-se com os passos da multidão; e as estátuas de bronze colocadas à entrada das habitações apresentam as mãos gastas pelos beijos do transeuntes que lhes prestam culto..."

Rómulo de Carvalho, A descoberta do mundo físico.
– Lisboa : Sá da Costa, 1979

Aventura intelectual

"A Ciência é uma das faces da grande aventura intelectual do Homem."

José Pinto Peixoto, 1922-1996


As mesmas alternativas

“Em todos os povos a arte passará pelas mesmas alternativas, obedecerá às mesmas leis: a Arte Pré-Histórica parece conter todas as outras no seu seio.”

Auguste Choisy,
citado por Nuno Santos Pinheiro, 1992

Tesouro ético

“A influência da Bíblia de maneira alguma se restringe a judeus e cristãos. . . . Ela é agora encarada como um tesouro ético e religioso cujo inexaurível ensino promete ser ainda mais valioso à medida que cresce a esperança de uma civilização mundial.”

The Encyclopedia Americana

Livro para o povo

“A existência da Bíblia, como livro para o povo, é o maior benefício que a humanidade já recebeu. Qualquer tentativa para depreciá-la . . . é um crime contra a humanidade.”

Immanuel Kant

Futuro e passado

“É tão belo o mundo da cultura; à falta de futuro, deu-me um passado.”

Roger Gaudry


Uma disciplina hipotético-dedutiva

“A matemática é essencialmente uma disciplina hipotético-dedutiva, que se baseia em pressupostos elementares: os postulados ou axiomas. Com base neles, deduzem-se rigorosamente os diversos resultados. Estes são chamados proposições, lemas, teoremas e corolários. A designação de proposições aplica-se a quaisquer resultados. Lemas são conclusões intermédias, auxiliares na demonstração de teoremas, que serão pois resultados mais importantes. Corolários são resultados que se derivam imediatamente de um teorema. No entanto, nem sempre se segue esta hierarquia. Há lemas importantíssimos que continuam a receber o nome de lemas, apenas por assim serem tradicionalmente chamados. E há teoremas simples e pouco importantes que, em rigor, não mereceriam esse nome.”

Nuno Crato,

Jornal Expresso, 13/04/2002


Palavras Belas

“As palavras mais belas da língua não são ‘eu amo-te’. São: ‘É benigno’.”

Woody Allen, em “Desconstruindo Harry

Estar Casado

"[Estar casado] prolonga a vida, melhora bastante a saúde física e emocional e aumenta a renda."

New York Times

Conceito periódico

“Poucas sistematizações na história da ciência rivalizam-se com o conceito periódico como ampla revelação da ordem do mundo físico. . . . Quaisquer elementos novos que venham a ser descobertos no futuro com certeza encontrarão um lugar no sistema periódico, ajustando-se à sua respectiva ordem e revelando as peculiares características familiais.”

McGraw-Hill Encyclopedia of Science & Technology

Mais sentido

“O universo tem muito mais sentido do que tinha 50 anos atrás”

Wasley Krogdahl

Probabilidades contrárias

“Se o universo for simples acidente, as probabilidades contrárias a que contenha qualquer ordem apreciável são ridiculamente pequenas. . . . Visto ser claro que este não foi o caso, parece difícil fugir da conclusão de que a condição real do universo tenha sido ‘escolhida’ ou seleccionada, de algum modo, dentre o vasto número de condições disponíveis, todas as quais, excepto infinitésima fracção delas, são totalmente desordenadas. E se tal estado inicial infinitamente improvável foi selecionado, certamente tinha de haver um seleccionador ou designer para ‘escolhê-lo’.”

Paul Davies, God and the New Physics

Ordeiro

“A revelação dum universo ordeiro atesta a verdade da declaração mais majestosa já feita — ‘No princípio Deus’.”

Arthur Holly Compton

A maravilhosa estrutura

“Para mim, basta . . . meditar na maravilhosa estrutura do universo, vagamente perceptível a nós, e tentar compreender humildemente nem que seja uma infinitésima parte da inteligência manifesta na natureza.”

Albert Einstein

Estudo cabal

“Creio que quanto mais cabalmente se estuda a ciência, tanto mais nos afasta ela de tudo o que se compare ao ateísmo.”

Lorde Kelvin

Without books and ink

"A recluse without books and ink is already in life a dead man."

Alfred Nobel


Nós e a Europa ou as Duas Razões

“A Europa foi durante séculos, através das suas especificidades, das suas religiões (…) da diversidade das suas opções filosóficas e ideológicas uma «arena» histórica e espiritual onde a questão vital do «sentido» da nossa existência se dirimiu, deixando como rasto grandioso a «Odisseia», o «De Rerum Natura», a «Cidade de Deus», a «Divina Comédia», «Hamlet», a «Ética», o «Fausto» ou a «Recherche», monumento incomparável da nossa, na aparência definitiva, perdição ou consubstanciação com o tempo. É mais do que suficiente para conferir uma «identidade» ao sonho de uma Europa política e economicamente unificável mas, mesmo desse passado incomparável, a actual pulsão cultural europeia, nas suas expressões mais significativas, não sabe o que fazer. Já não queima, como há vinte anos os seus anais sagrados no pátio da sua Universidade Mater. Cheia de ciência, em plena revisão da sua mitologia cultural iluminista, consciente da sua riqueza (ou da riqueza dos ricos nela que não são forçosamente europeus), mas não menos consciente de já não ser politicamente o centro do universo, esta Europa tem tudo, salvo uma ideia condutora digna da sua vocação milenária que a centre em si e lhe dê uma alma.”

Eduardo Lourenço, Nós e a Europa ou as Duas Razões


Cerceados

"Os seres humanos são cercados e cerceados por imagens corporais".

Paul Schilder, 1999

Imagem satisfatória

"O indivíduo esforça-se por conseguir um conceito ou imagem satisfatória de si mesmo. Mas salienta que devemos levar em conta o fato de que este sujeito é membro de numerosos grupos sociais e que essa pertença contribui, positiva ou negativamente, para a imagem que tem de si próprio"
Tajfel, 1982

Movimento perpétuo

"O indivíduo conhece o mundo através de sua entidade corporal (...) O homem seguirá vivendo toda sua existência desde e através do seu corpo (...) O homem tem um corpo, o qual está capacitado para mover-se. Graças ao movimento o homem aprende a estar no espaço (...)."

Pérez-Samaniego e Gómez, 2001

Uma senhora sentada na maca

"Estava examinando uma senhora sentada na maca, eu auscultava seus batimentos cardíacos, seus pulmões, observando o murmúrio vesicular, sua natureza, intensidade e ruídos patológicos (roncos, sibilos etc.). De repente, comecei a prestar atenção na minha postura, e pude perceber que estava com a coluna cervical fletida, a região torácica cifótica (flexão anterior), a cabeça inclinada para a esquerda. A mão que segurava o estetoscópio no precórdio da paciente imprimia uma força e estava tensionada, o ombro esquerdo estava elevado e tenso e os ombros fechados. O peso do corpo estava mais sustentado na lateral direita, fazendo uma oposição. A região plantar que recebia o peso era a metade posterior dos pés, região dos calcâneos; era como se tivesse somente os calcanhares, não sentia os dedos e os metatarsos."

M. COSTA, Dançando com o corpo sem órgãos.
In: CALAZANS, J.; CASTILHO, J.; GOMES, S. (Coord.). Dança e educação em movimento.
São Paulo: Cortez, 2003. p. 58-69.

Apanhar

“Que possa a morte me apanhar pensando, escrevendo, lendo.”
Epicteto

Novas formas de vida

"As novas formas de vida expuseram os casais a maiores factores de risco. Hoje, como é sabido, pais e filhos saem de manhã cedo de casa, cada um para a sua vida, e só regressam ao fim do dia, pouco disponíveis uns para os outros. A nova vivência familiar trouxe, é certo, ganhos importantes, permitindo o acesso a melhores condições materiais de vida e alargando as possibilidades de realização pessoal e de conquista de espaços de liberdade. Mas, forçosamente é também reconhecê-lo, aumentou a vulnerabilidade das famílias e o risco de desencanto com as relações conjugais."

Eliana Gérsão, Transformação social, divórcio e responsabilidades parentais. in estudos em Homenagem a Rui Epifânio, coord. Armando Leandro, Álvaro Laborinho Lúcio, Paulo Guerra. Coimbra: Almedina, 2010. p. 229

Um grão de areia

"Para ter a ideia da pequenez do átomo comparado com um objecto macroscópico, imaginemos que podemos ver os átomos numa mesa de cozinha, e que cada átomo é do tamanho de um grão de areia. Nesta escala de ampliação, a mesa terá então 3500 quilómetros de comprimento."

Robert Jastrow, Red Giants and White Dwarfs
(em Port. A arquitectura do Universo, Edições 70)

As minhas esperanças

Não deram resultado todas as esperanças
que eu tinha posto no dia de hoje.
Mas amanhã se Deus quiser
logo de manhã muito cedinho
todas as minhas esperanças começam outra vez
à procura da minha vez.
Almada Negreiros, “As quatro manhãs

Todos os sonhos do mundo

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Álvaro de Campos, Tabacaria

Uma espécie de língua secreta

«Essas regras, os sinais da linguagem e a gramática do jogo, representam uma espécie de língua secreta extremamente aperfeiçoada, em que participam várias ciências e artes, principalmente a matemática e a música (…) e que é capaz de exprimir os conteúdos e os resultados de quase todas as ciências e de os relacionar entre si. O jogo das contas de vidro é, por conseguinte, um jogo que joga com todos os conteúdos e valores da nossa cultura, um pouco como nos tempos áureos das artes um pintor terá brincado com as cores da sua paleta.»

Hermann Hesse, O jogo das contas de vidro, 1989, (trad. do original alemão de 1943 por Carlos Leite), Lisboa : Publicações Dom Quixote, pp. 17-18


Pensamentos e opiniões

«A comunicação livre dos pensamentos e das opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem.»

Artigo 11.º da Declaração de 1789